Miss. Rodrygo Gonçalves

Vejam, o Senhor, o seu Deus, põe diante de vocês esta terra. Entrem na terra e tomem posse dela, conforme o Senhor, o Deus dos seus antepassados, lhes disse. Não tenham medo nem desanimem. Dt 1:21

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Casa (de Davi) Caiu? Não, apenas a mentira.

Ele preferiu mentir, enganar e decepcionar

Desde agosto de 1999 tenho ministrado junto com Mike pela nação brasileira e em outras nações também. Durante esses anos tenho compartilhado vários testemunhos, a começar com minha cura da Síndrome de Down, passando por sonhos, visões e arrebatamentos, e diversas experiências sobrenaturais.

Pois bem, em quase todos esses testemunhos eu acrescentei mentiras. Alguns deles são totalmente mentirosos. Inclusive um deles, eu roubei de um irmão em Cristo que teve a experiência que conto como sendo minha. Outros testemunhos são meus e em parte verdadeiros.

Menti para minha família, meu ministério, a igreja do Senhor e outros na sociedade que ainda não conhecem a Jesus. Estou escrevendo este texto e também fazendo um vídeo, porque eu contava esses testemunhos desde 1999, tanto em solo brasileiro, como em viagens para os Estado Unidos, Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Paraguay e Uruguay. Eu contava em nossos seminários, em clínicas pastorais, conferências proféticas e apostólicas que reuniam pessoas do mundo inteiro. Esses testemunhos foram gravados em CDs e DVDs, comprados e espalhados para lugares onde só Deus sabe. Pessoas ouviram os meus testemunhos e não sabendo que continham mentiras, escreveram em blogs, revistas, e livros. Deram entrevistas, como eu também tenho dado, em rádio e televisão, repassando verdades e, infelizmente, as mentiras contidas em meus testemunhos.

Estou profundamente arrependido. Tremendamente envergonhado. Triste ao extremo pelos meus atos. Eu escolhi mentir, enganar. Eu escolhi decepcionar.

Como disse o Mike, eu também tenho pregado essa mensagem de arrependimento pelas nações.
Estou fazendo esta confissão dessa forma porque é coerente com o que tenho pregado, e estou procurando agir com verdade, arrependimento e confissão na medida do meu pecado.
Se alguém mentir para uma pessoa, é necessário pedir perdão a Deus e à pessoa para qual se mentiu, e além disso, desmentir a mentira. Pois eu menti para centenas de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, e por isso torno pública minha confissão.

Nesses 10 anos, eu tive momentos para me arrepender quando as consequências não teriam sido tão graves. Na verdade, eu lido com esse pecado de mentira desde minha infância. Por isso eu sei que, o passo que dou hoje é necessário para que haja a verdadeira conversão e transformação na minha vida. Tanto agora, como na infância, fui flagrado nesse pecado, mas até hoje não havia produzido frutos de um arrependimento digno.

Eu continuo no ministério Casa de Davi. Vou permanecer em Londrina, sem ministrar, durante o restante deste ano de 2010.

Preciso passar por um processo de restauração. Preciso reconstruir o que destruí com as mentiras e preciso de transformação nessa área da minha vida antes de voltar a ministrar.

Peço perdão a você, para quem menti e envolvi na minha mentira. Peço que o Senhor Jesus purifique a Igreja da minha injustiça.

Me preocupo com o “escândalo” que eu tenho trazido para o corpo de Cristo. Entendo que mais cedo ou mais tarde tudo isso viria à luz, pois a palavra de Deus afirma que todo oculto e escondido será revelado.

Peço que façam distinção entre a minha pessoa, meu pecado, e os princípios que o ministério Casa de Davi tem pregado e ensinado. Todas as mensagens que o ministério Casa de Davi tem ministrado nos seminários pelo Brasil e outros países permanecem intactas. A minha mentira não abala a integridade das palavras e mensagens proféticas do ministério.

Peço que não percam as experiências sobrenaturais, pois minhas mentiras não anulam a realidade do sobrenatural de Deus.

Peço sua orações, enquanto eu oro para que o Senhor cure a igreja das feridas causadas por mim e pelas minhas mentiras.

Estou no início do processo de minha restauração. O primeiro passo é pedir perdão para você, pois menti para ti.

Ainda estou apurando todos os testemunhos que contei. Peço sua paciência enquanto eu apuro toda a verdade durante esse período.

Nos próximos meses escreverei um documento onde serão relatadas as verdades e mentiras dos testemunhos que tenho contado.

Conto com o amor, a graça e misericórdia do Senhor, de minha família, de meus irmãos em Cristo e amigos. Conto também com suas orações. Sei que minha confissão é muito decepcionante para todos. Como me arrependo!

Sinto gratidão em meu coração por poder contar com o amor e perdão da minha mãe, meus irmãos, minha esposa e meus filhos e de todos meus irmãos no ministério Casa de Davi, para os quais eu já me confessei.

Quero expressar aqui que sinto gratidão e alegria de ter a liderança do Mike, que de forma graciosa, com muito amor e cheio de sabedoria tem me acompanhado e ajudado nesse difícil processo de confissão, cura e restauração.

Mais uma vez, perdoe-me pelas mentiras e as decepções que causei na tua vida e no Corpo de Cristo.

Eu os amo.

Espero poder voltar e ministrar novamente, totalmente restaurado e transformado pelo mesmo poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos.

Confissão de Davi Silva no site da Casa de Davi

Algo parecido aconteceu envolvendo um ministério da Austrália chamado Planet Shakers. O filho do pastor, líder do ministério de música, mentiu sobre um suposto câncer, mas a verdade é que seu problema era moral. Após arrepender-se da mentira, confessou que era viciado em pornografia desde os 14 anos. Tal caso teve grande repercussão pelo fato dele ter participado de um DVD com o Hillsong em 2007. O nome da canção é Healer. Após a confissão pública, esta canção foi retirada das prensagens seguintes dos CDs e DVDs.

Imagine se todos fizessem o mesmo? Quantas coisas viriam a tona? Quanta mentira tem sido dita nos púlpitos?

O fato é que mais cedo ou mais tarde, a verdade sempre prevalece. Como disse Jesus, nada há oculto que não seja revelado.

Que bom que aquele que antes escolhera mentir, enganar e decepcionar, agora decidir confessar e abandonar a mentira. Segundo as Escrituras, somente assim se alcança misericórdia.

Difícil deve ser para aqueles que acreditaram em tais mentiras, sem qualquer discernimento, e que agora são obrigados a admitir sua ingenuidade. Não sei qual é pior, admitir que enganou ou admitir que se deixou enganar.

Que este episódio sirva de alerta para a igreja de Cristo no Brasil.

Hermes Fernandes

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Se conhecêssemos... Nunca mais...


Se conhecêssemos o Novo Testamento de cor, se ouvíssemos seus trovões soando em nossos ouvidos, distinguindo-os dos sons tolos e das sirenes persuasivas do mundo, se soubéssemos de cor ou menos uma silaba de uma palavra dentro de uma sentença do sermão do Monte, se déssemos ouvidos á voz da Águia de Patmos, se crêssemos que nos deixarmos ser amados por Deus é mais importante que amar a Deus, nunca mais toleraríamos as maquinações de religiosos manipuladores que distorcem a face de Deus. Nunca mais os que caíram seriam humilhados publicamente diante da congregação. Nunca mais pregadores destemperados teriam autorização para aterrorizar pessoas nos bancos das igrejas. Nunca mais nos colocaríamos ao lado de celebridades clericas e nos curvaríamos aos ricos e poderosos. Nunca mais a primazia de amar estaria subordinada a uma suposta ortodoxia.

Brennan Manning,
A Sabedoria da ternura

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Clamando por um avivamento

O caminho para o avivamento está em 2 Crônicas 7:14: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. 

Somos o povo que se chama pelo Seu nome. Avivamentos não acontecem simplesmente como as chuvas de Belém. Existem condições para teremos avivamento. Tudo depende daquele “se”. A Escritura não diz: “Se Deus...”, mas “Se o meu povo...”. 

Sede de Deus

As torrentes de Deus só caem sobre a terra seca. O Espírito Santo só é derramado sobre os sedentos (Isaías 44:3). Só os que anseiam por Deus conhecem a intimidade de Deus, e só os sedentos terão sua sede saciada (Mateus 5:6). 

A Lição da Corça (Salmo 42) 

O salmista está em crise no deserto do Neguebe, um lugar seco e pedregoso, cheio de cascalho, de montes e vales. O sol é ardente, a areia é escaldante; ele está com uma sede forte e implacável. Seu corpo lateja, treme e sofre os rigores do deserto. De repente, olha e vê adiante uma corça, uma cabra montês que vem ofegante e exausta em busca de água no calor escaldante do deserto. O animal corre desesperado em busca da água que pode salvá-lo, e brama pela fonte que pode satisfazê-lo. 

O salmista olha para a corça, ouve o seu desesperado bramido pela água e diz: Meu Deus, esse bramido pela água para saciar a sua sede retrata a minha ânsia por Ti. Eu não consigo viver sem a Tua presença. Eu anseio por Ti mais do que tudo. “Como suspira a corça pelas correntes da águas, assim por Ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede do Deus vivo.” (Salmo 42: 1,2). 

O salmista na queria saber a respeito da água, ele queria água. Em tempos de avivamento, a igreja não se contenta em apenas conhecer a respeito de Deus; ela quer o próprio Deus, e O busca na intimidade. Em tempos de avivamento, a igreja não apenas ouve e lê a Palavra de Deus, mas busca o Deus da Palavra. Não apenas carrega a Bíblia, mas retém a Palavra. Não apenas conhece a letra da Palavra, mas conhece o espírito da Palavra. Em tempos de avivamento, a igreja não se satisfaz com nada menos do que o próprio Deus. Deus é a sua busca, sua sede, sua fome, seu alvo, sua meta, sua paixão. 

quarta-feira, 31 de março de 2010

Qual é o nosso modelo de vida?




"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." Jo 1:14


Hoje nas igrejas, nas TVs, nas rádios, no nosso meio cristão, tem-nos sido apresentado um modelo de espiritualidade, que não tem nada a ver com o propósito original: a revelação de um homem, segundo a imagem e a semelhança do Altíssimo.

Vai dai que temos assistido uma coisa terrível e antagônica: quanto mais os caras querem se parecer com anjos, seres angelicais, levitar, negar a dor e o sofrimento próprios de ser-se gente, Deus ainda insiste num modelo mais perto de nós: um homem, só um homem, como vimos em Cristo:

* Alguém que comia quando tinha fome, bebia quando tinha sede (principalmente de relacionamento, de amigos, quando bebia vinho e partia o pão com eles!);

* Alguém que não se importava com o perigo, pois até houve quem se preocupasse por ele, como os dois no caminho de Emaús, insistindo para que entrasse com eles a ter de enfrentar a escuridão da noite. Hoje, não faltam "líderes cristãos" andando com guarda costas e até armas na cintura...

* Alguém que sentia a dor da solidão e pedia aos amigos que estivessem com ele nas horas mais diversas e não teve vergonha de confessar, na cruz, o quanto dói a separação;

* Alguém que, ferido, magoado, traído, não saia a destilar veneno contra os ofensores e traíras, nem tampouco evitava o contacto com gente, como fazemos hoje;

* Alguém que não ficou vermelho em cair no choro diante de muita gente - pessoas que o ouviam e a ele seguiam como líder - confessando e sentindo solidariamente a dor diante da perda de quem amamos, diante do túmulo de Lázaro (mesmo sabendo o que aconteceria dois minutos depois de chamá-lo para fora da tumba!);

* Alguém que se misturava com qualquer um - de publicanos, odiados pelo povão, à prostitutas, beberrões e pecadores. Só não tolerava religiosos que não viviam os valores do reino de Deus nem deixavam os outros o fazerem, cobrando regras e mais regras que "tinham ar de religiosidade, mas que não tinham valor algum contra o mal que vem de dentro". É preciso ressaltar também que, nem de longe fez conluios, conchavos ou barganhas com os caras do poder, da religião, nem usou a massa como moeda de troca política como vemos hoje...

* Alguém que era tão normal e simples que até o seu traidor precisou de um código - um beijo no rosto - para identificá-lo diante dos que o iriam prender. Não havia sobre ele, nenhum luminoso em "neon", banner, placa, cartaz,... ou adereço que o identificasse;

* Alguém que não precisava de andar de carro importado, ternos de grife, jóias ou outra porcaria para parecer importante ou valorizar quem era, e porque era quem era, quando falava ou fazia qualquer coisa, quem ele era ficava manifesto, distinguindo-o dos pilantras e espertalhões que exploravam a fé das pessoas da época;

* Alguém que diante do sofrimento do preço do ministério, confessou o seu medo, a vontade de "beber outro cálice" mas nunca lastimou ou queixou-se da escolha que fez em seguir em frente até a morte e morte de cruz;

* Alguém que, sendo quem era, não temia confessar as suas necessidades, como fez com a mulher samaritana e diante daqueles que dele zombavam na cruz, pedindo-lhes água;

* Alguém que humilhado, desprezado, não abriu a sua boca (como ovelha para o matadouro), nem ousou lançar no rosto de todos à volta, responsabilidade nenhuma aos quais que, cheios de culpa, deixaram o inocente que era, pagar toda a fatura;

* Alguém que fazendo caridade, milagres, curas e todo tipo de benefício aos pobres, desenganados, sofredores, desesperados, enfermos e marginalizados da sociedade, não os usava como fazemos hoje, para promover-se - nem a causa que defendia - pedindo que a ninguém, os beneficiados por ele, dissessem coisa alguma, mostrando que a sua preocupação era com eles e ninguém mais que eles;

* Alguém que nunca, em tempo algum, chamou para si privilégios, títulos, reconhecimento por feitos e conquistas, como fazemos hoje, ostentando cartões de visitas com quilos de peso com tantos adjetivos colados ao nosso nome. Não se auto-denominava coisa alguma, nem ousou por usurpação, ser igual a Deus, mas revelou-se (e apresentava-se) como o "filho do homem" e dirigia todas as glórias a Deus!

* Alguém que, buscava a Deus e a Ele se submetia integralmente, contra todos os apetites e conveniências próprias de ser homem. Não negou sua condição humana, mas mostrou como é que alguém, sendo homem, podia agradar ao Senhor.

* Alguém que, podendo viver à parte da "normalidade", ou levitar, viver nas alturas, desceu. Desceu até as partes mais baixas da terra. Para revelar simplesmente o que era: um homem. De carne e osso e coração!

Um homem, afinal, como Deus sempre desejou criar. Um homem segundo a imagem e semelhança do Pai.

E ai? Quem é o seu modelo?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Eu não acredito em contos de fada

Um conto de fadas termina no beijo de um príncipe?


Cansei de gente vendendo finais de conto de fadas nos púlpitos. Talvez possamos ter finais felizes, mas “felizes para sempre"? Neste mundo?

Vivo no meio de gente que faz propaganda religiosa ao invés de evangelismo, sem se importar com a opinião do autor do mandamento.

Eles contam sobre a ressurreição de Lázaro, mas nem lembram que Lázaro teve que enfrentar a morte por duas vezes. Quem se aventura a passar por isso?

O perdão dado a Pedro o levou a uma cruz em X, onde morreu de cabeça para baixo. Conta a tradição que ele mesmo pediu isso, por se achar indigno de morrer como seu mestre. O martírio foi peça comum entre quase todos os discípulos. Houveram momentos inesquecíveis com Jesus? Claro! Foi exatamente esses momentos que os fizeram resistir até o fim em seus trágicos finais.

Davi, ainda garoto, é ungido rei de seu povo. Entre este dia e o dia que assume o trono, dez anos depois, nunca teve paz. E mesmo após este momento, quando já era rei, seus amores, filhos, amigos, sempre foram objetos de conflitos e dores.

Paulo, após ser escolhido como vaso pelo próprio Deus – com direito a show pirotécnico na estrada de Damasco – terá em seu histórico tantas prisões, espancamentos, chibatadas e no fim, a pena capital, dada por Nero: decapitação.

O Cristianismo se difere das outras crenças. Como nos lembrou C.S.Lewis, é a única crença que permite chamar Deus de Pai. Isso é exclusividade, mas também é a única que deixa suas criaturas, a quem ama tanto, matá-lo.

Diferente de tantos pregadores atuais, não usava seus milagres como fonte de marketing pessoal, nem tão pouco ensinava que viveríamos em um mundo a parte, um “mini-céu” com seres que, na forma atual, não poderiam povoá-lo. Que seres? Nós! No mundo tereis aflições, e não viver de conforto em conforto, de mansão em mansão, de iate em iate.

Nossa vida – cristã ou não – não oferece trégua:

Viveremos muitas despedidas, lidaremos com afetos se desbotando com o tempo. Receberemos ligações de madrugada com notícias terríveis. Falarão mentiras sobre nossa conduta. E o pior: passaremos grande parte de nossa existência nos imaginado melhores do que realmente somos.

Sabemos que costumeiros vencedores tem menor resistência à derrotas. Se a Palavra nos diz ser mais que vencedores, somos os que deviam saber lidar com os dois lados de um jogo: os que ganham e os que não ganham.

Por isso, Jesus se faz tão importante em nossa alma. Ele fala de construções com bases necessariamente firmes, sólidas, por que tempestades fazem parte das existências. Não apenas ensinamentos, mas Ele próprio se faz necessário nas entranhas de nossa vida.

Não creia que soluções temporais sejam a fórmula da felicidade. A paz que vai na alma daquele que encontrou a Cristo não é justificada pelas situações positivas em sua existência.

Você pode encontrar um desses seres, tranquilos, serenos, lúcidos, e depois saber que perderam um grande amor. “Eles”- que deveria ser "Nós" - não se explicam.

O que você não encontrará são estas ovelhas misturadas a bodes no dia que há de vir. A estes, o Cristo jamais dirá: “Afasta-te de mim, pois nunca te conheci...”

Zé Luís, editor do Cristão Confuso

sexta-feira, 19 de março de 2010

Não há VIP’s no Reino de Deus!

wind
Chegara a hora da triagem. De todos os que seguiam a Jesus, doze seriam escolhidos para serem Seus apóstolos. Logo no início, Pedro se destacou. Foi ele o portavoz dos demais ao confessar que Jesus era ninguém menos que o Cristo, o Filho do Deus vivo. Dentre a multidão que seguia a Jesus, uns diziam que Ele era João Batista, outros, Elias. Mas Pedro acertou na mosca. Ficava evidente que entre eles, os mais chegados, e os demais, abria-se um abismo. Pedro deve ter se sentido muito importante, a ponto de querer dissuadir Jesus de entregar-Se para ser crucificado. Porém, acertar uma vez não significa acertar sempre. Os mesmos lábios que disseram que não fora carne ou sangue que lho revelara que Jesus era o Cristo, também o repreenderam: Pra trás de mim, Satanás!

Dos dozes, Jesus separa três, Pedro, Tiago e João, e os leva para o monte. Lá assistem “de camarote” à transfiguração do Seu rosto e à aparição de duas das figuras mais importantes do Antigo Testamento, Moisés e Elias. Devem ter se sentido mais importantes do que os nove que ficaram lá embaixo. E pra completar, Jesus lhes pede sigilo absoluto. Estavam proibidos de contar aos demais o que haviam presenciado. Portanto, dentre os doze, eles se sentiam os VIP.

Quando descem do monte, deparam-se com uma inusitada cena. Os nove preteridos passavam o maior vexame tentando exorcizar um rapaz. O pai, disiludido, vem ao encontro de Jesus reclamando que Seus discípulos eram incapazes de libertar seu filho. “Ó geração incrédula e perversa!”, exclama o Mestre. Que vergonha! Os três seletos devem ter imaginado: Agora sabemos porque fomos preferidos e eles preteridos. Se eles não podem expulsar um demônio, que condição teriam de ver o que vimos?

A língua estava coçando… porém não podiam contar aos demais o que acontecera lá em cima.

De repente, Jesus percebe uma discussão em voz baixa. Quem, dentre os doze, seria o mais importante? Quem teria a primazia sobre os demais? Para encerrar a discussão idiota, Jesus toma uma criança, e diz, dirigindo-Se a eles:
“Qualquer que receber esta criança em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me recebe, recebe o que me enviou. Pois aquele que entre vós todos for o menor, esse é que é grande” (Lc.9:48).

Bem que poderiam dormir sem essa! Mas Jesus não podia desperdiçar a oportunidade de lhes dar uma importante lição acerca de como as coisas funcionam no Reino de Deus, onde a ordem é subvertida, e o maior é aquele que serve aos demais, e não aquele que se serve deles.

No Reino não existem VIP’s! Não existe discípulo de primeira classe e discípulo da classe econômica. Por maior que tenha sido a experiência que tivemos, não nos confere o direito de nos servir dos outros e nos alavancar às primazia sobre eles. Quem viu o rosto de Jesus transfigurar não é mais importante do que os que ficaram lá embaixo amargando a experiência de não conseguir expulsar um demônio. Quem fala em línguas não é mais importante do que quem não fala. Quem profetiza não tem primazia sobre quem não o faz. Quem ostenta um título não deve valer-se dele para exercer domínio sobre os demais.

Parecia que a discussão terminara. Embora tenham se silenciado, esperaram a ocasião oportuna para deixar emergir a mesma questão, ainda que de maneira velada. E a primeira oportunidade surgiu imediatamente.

João, um dos três VIP’s, disse: “Mestre vimos um homem que em teu nome expulsava demônios, e nós o proibimos de fazer isso porque não segue conosco” (v.49). Era como se João quisesse dizer: Senhor, tem um cara que não pertence ao nosso círculo, mas consegue o que nossos colegas aqui não conseguiram. Ele expulsa demônios em Teu nome. Percebe a ironia?

Além de dar uma implicada com os outros nove, João insinua que o direito a expulsar demônios era uma exclusividade dos doze. Quanta ousadia querer o monopólio do nome de Jesus! Para a surpresa de todos, Jesus respondeu: “Não o proibais, pois quem não é contra vós é por vós” (v.50).

Ser escolhido de Deus não significa ser preferido. Onde houver preferidos, haverá também preteridos. Ele usa a quem quer, onde quer, e como quer. Cristo jamais esteve limitado aos doze, nem aos setenta enviados posteriormente, nem mesmo à igreja. Ele não assinou contrato de exclusividade com quem quer se seja. E se houver alguém usando Seu nome para além de nossos arraiais eclesiástico, isso deveria nos causar júbilo em vez de consternação. O escopo do Espírito Santo não está circunscrito aos limites denominacionais ou doutrinários. Ele soprar aonde quer, e ninguém fica sabendo de onde veio, ou pra onde vai.

O assunto ainda não se encerrara. Decidido a ir para Jerusalém, onde deveria sofrer e ser crucificado, Jesus “mandou mensageiros adinate de si, os quais entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada; mas não o receberam, porque viram que ele ia para Jerusalém” (vv.52-52). Acho que não preciso discorrer aqui sobre a animosidade recíproca que havia entre judeus e samaritanos. Pelo visto, os samaritanos não tinham nada contra Jesus. Numa outra ocasião, sairam ao encontro d’Ele, depois de ouvirem dos lábios de uma mulher que talvez Ele fosse o tão esperado Messias. Porém, quando souberam que ali seria apenas uma rápida escala para Jerusalém, recusaram hospedá-Lo. Aquela era a deixa tão esperada pelos irmãos Tiago e João, dois dos VIP’s do Monte da Transfiguração.
“Os discípulos Tiago e João, vendo isto, perguntaram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma, assim como fez Elias?” (v.54).

A sugestão deles fazia todo sentido. Afinal, quem eles haviam visto lá em cima em conferência com Jesus? Moisés e Elias. Quem mal haveria em tomar um dos dois como referência numa situação daquela? O que faria Elias?

O que eles haviam se esquecido é que o esplendor do rosto de Jesus foi tamanho que ofuscou a presença dos dois profetas. E a voz que bradou do céu disse: Este é o meu Filho, a Ele ouvi! Portanto, nem Moisés nem Elias, ou qualquer outro personagem bíblico nos serve de referência absoluta. Somos discípulos de Jesus, não de Elias, Eliseu, Samuel, Gideão, Davi ou qualquer outro. Todos eles tiveram sua importância na execução dos propósitos divinos. Porém, seu brilho foi ofuscado pelo esplendor da face de Cristo. Todos eles tiveram virtudes e vicissitudes, erros e acertos. Porém em Cristo encontramos a perfeição. Todos foram esboços, imagens de Deus maculadas pelo pecado, mas em Cristo encontramos a “imagem do Deus invisível” (Cl.1:15), a “expressão exata do Seu Ser” (Hb. 1:3).

Tiago e João esperavam receber um elogio de Cristo, ainda que não acatasse sua sugestão. Em vez disso, foram repreendidos: “Vós não sabeis de que espírito sois, pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (vv.55-56).

Se fosse Elias naquela situação, não hesitaria em ordenar que descesse fogo do céu e consumisse aqueles samaritanos ingratos e profanos. Se fosse Eliseu, talvez ordenasse que fossem devorados por ursos. Se fosse Moisés, talvez lhes enviasse pragas. Se fosse Davi, quiçás lhes enviasse tropas para dizimá-los. Mas em se tratando de Jesus, não se poderia esperar outra coisa que não fosse perdão.

No Reino de Deus não há lugar para rivalidade, nem para exclusividade, nem para revanchismo. O Reino de Deus funciona à base de amor, perdão, cooperação e comunhão. Deus não tem favoritos. Deus tem escolhidos em prol de todos.

Hermes C. Fernandes

quinta-feira, 11 de março de 2010

A religião de circunstância

A forma de culto que o rei Saul prestava à Deus não foi agradável, tendo sido este o principal motivo da sua rejeição, isso mostra-nos que nem todos os sistemas de culto agradam a Deus.

O profeta Samuel advertiu à Saul que forçado pelas circunstâncias ofereceu holocausto, (I Samuel 13:12-13) O texto mostra-nos uma atitude de quem pratica religião por circunstância.

A historia mundial é repleta de modelos desta forma de religião. No século XIII a Igreja Romana impôs um tribunal com plenos poderes para perseguir e condenar as pessoas que se mostrassem contrarias às suas doutrinas consideradas oficiais.

A inquisição adotou os mais violentos métodos, que iam desde tortura a morte na fogueira. Muitos, temendo a tal violência e para escapar da morte, faziam falsas confissões e aceitavam a religião imposta. Os "convertidos" passavam a ser chamados de "cristãos novos" era uma religião de circunstância.

Toda sociedade conhece a história da escravidão que milhões foram considerados como sub-humanos e viveram sujeitos a tratamentos desprezíveis, com tudo, muito contribuíram para a economia e cultura dos países. Por mais estranho que pareça os seus Senhores achavam por bem impor a sua religião aos escravos. Os escravos segregados até podiam assistir a missa, isso após conduzirem os seus Senhores em liteiras carregadas aos ombros. Era uma religião de circunstância.

Houve um período em que me apegava a "religião de meus pais" não por que tivesse qualquer convicção religiosa, mas, por que julgava meu dever guardar uma tradição. Seguia assim a religião por circunstância.

A qui no Brasil houve uma época que os funcionários públicos eram convocados para assistirem as cerimônias religiosas da religião "oficial" em determinadas ocasiões. Sua presença era exigida sob pena de sofrerem severas represálias. Quantos sacrificaram a sua consciência para não perderem um lugarzinho no emprego público!Tais cerimônias eram uma religião de circunstância.

A religião que praticamos apenas para agradar aos pais, a esposa, ao marido, aos avôs... Não passa de uma religião de circunstância. A religião que seguimos apenas para satisfazer caprichos de quem quer que seja é uma religião de circunstância. Ela pode até agradar aos homens, mas nunca a Deus.

A genuína religião tem de ser pessoal, de coração e espontâneo. É a religião que tem Jesus como tema principal por que só Ele é o caminho a verdade e a vida. No amor de Cristo.

Pr. Cícero

terça-feira, 9 de março de 2010

Apenas uma Piada!!!

Dois cristãos estavam sobrevoando a cidade, quando o que está na janela diz:

- Eu tenho um dom diferente sabia?
- É mesmo? Indaga o outro.
- E qual seria este dom?
- Eu consigo por a mão para fora do avião e saber sobre qual igreja estamos sobrevoando.
- Serio?Isto é fantástico!!!
- Então me mostre.

O companheiro põe a mão e logo afirma:

- Assembléia de Deus.
- Como você sabe? Retruca o irmão.
- Senti a oração dos assembleianos! Fervorosa…
- Que legal! faz de novo!!!
- Ok, agora estamos sobre a Batista.
- Incrível! Como sabes?
- Senti o doce embalo do louvor dos Batistas.
- Novamente, isso é incrível…

O irmão colocou mais uma vez a mão para fora do avião e depois de alguns segundos, retorna-a para dentro cabisbaixo e assustado.

- E agora Irmão?
- Acabamos de sobrevoar a Universal do Edir Macedo!!!
- A é? E como sabes?
- Pegaram meu relógio, minha aliança e meu anel!!!


Carlos Roberto Martins de Souza

segunda-feira, 1 de março de 2010

1ª Epístola de Paulo Aos BRASILEIROS

Uma carta de Paulo à Igreja Brasileira. Como precisávamos desta epístola!


1ª Epístola de Paulo Aos BRASILEIROS - Cap. 1


Prefácio e Saudação

Paulo, apóstolo, não da parte de homens, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, a todos os santos e fiéis irmãos em Cristo Jesus, que se encontram em terras brasileiras, graça e paz a vós outros.

Exortações à Igreja

Rogo-vos para que não haja partidos entre vós. Mas vejo que é isso que está ocorrendo, pois uns dizem: eu sou de Malafaia; outros, de Macedo; outros, do Soares; outros de Feliciano; Quem é Malafaia? Quem é Soares? Quem são eles? [1] Por acaso Cristo está dividido? Não são neles que devemos postar nossos olhos, mas em Cristo, o único que morreu por nós.

Vejo que ainda sois meninos na fé quando o propósito de cada um é só buscar bênçãos para si, visando os próprios interesses e não o interesse do Corpo. Digo-vos que a maior benção já vos foi concedida na cruz quando fostes resgatados da morte e das trevas. Agora, aprendam a viver contentes e dar graças a Deus por tudo [2] .

Sinais e Prodígios

Assim como os judeus pediam sinais em minha época [3], há muitos que só pensam em prodígios e maravilhas: fazem correntes e marcam hora para as curas se efetuarem, e eu já havia advertido aos seus irmãos de Tessalônica que tão somente orassem o tempo todo, [4] pois apenas Deus é quem sabe a hora de atender. Eu mesmo deixei Trófimo doente em Mileto, [5] o amado Timóteo foi medicado enquanto esperava o Senhor curar sua gastrite, [6] e Epafrodito adoeceu mortalmente chegando às portas da morte [7]. Por que entre vós no Brasil seria diferente?

Outras admoestações

Estão fazendo rituais para amarrar demônios e declarar que as cidades do Brasil são do Senhor Jesus. Nunca vistes isso em mim e em nenhum momento em Cristo. Pelo contrário, preguei o evangelho em Éfeso, mas a cidade continuou seguindo a deusa Diana. No Areópago de Atenas riram e zombaram de minha pregação, e poucos aceitaram a palavra do evangelho; como eu iria dizer que Atenas era do Senhor Jesus? Em Corinto, a prostituição continuou a dominar a cidade, e em Roma, as orgias e as dissoluções da família até se intensificaram no decorrer dos anos. Dizer que Roma pertencia ao Senhor Jesus seria uma frase que levaria ao engano os poucos irmãos verdadeiramente convertidos.

Na verdade muito me esforcei e fiz de tudo para ver se conseguia salvar a alguns [8]. Nunca ensinei a reivindicar territórios, mas tão somente orava a Deus que me abrisse uma porta para pregar a Palavra [9] .

Cuidado com os falsos apóstolos

Há muitos homens gananciosos aparecendo no meio de vós no Brasil dizendo que são apóstolos e criando hierarquias para exercer domínio uns sobre os outros, coisa que nunca aceitei. Porque tanta preocupação com títulos? Por que ninguém se contenta em ser chamado simplesmente servo? Pois é isso é o que realmente importa. Saibam que há muitos obreiros fraudulentos transformando-se em apóstolos de Cristo [10].

Já vos advertira que depois da minha partida, entre vós penetrariam lobos vorazes que não poupariam o rebanho de Cristo [11], vós não lembrais disso brasileiros?

Sobre os dons espirituais

Soube que muitos estão preocupados com os dons. É verdade que eles são importantes, mas o Espírito concede a cada um conforme melhor lhe convém [12]. Tenho percebido que valorizam principalmente os dons sobrenaturais – como falar em línguas, visões, curas e revelações – e esquecem-se que ensinar bem as Escrituras, administrar com zelo as coisas de Deus e promover socorro aos necessitados também são dons espirituais [13].

Mas o que eu quero mesmo é que estejais buscando para suas vidas o fruto do Espírito. De nada adianta ter fé suficiente para curar pessoas, transportar montes e expulsar demônios se ficais devorando uns aos outros, [14] se não têm amor, se provocam rixas e intrigas entre si e dão mau testemunho.

Ofertas ao Senhor

Quanto às ofertas e sacrifícios, já falei por carta: no primeiro dia da semana cada um separe segundo sua prosperidade [15]. Nunca fiz leilão de bênçãos do Senhor, desafiando o povo a ofertar começando com 10 moedas de ouro até chegar ao que tinha um denário. O único sacrifício aceitável por Deus já foi feito na cruz pelo seu Filho Jesus, entendais isto brasileiros.

Quando Deus me der oportunidade de visitar-vos quero conhecer os que estão se enriquecendo com o Evangelho e enfrentar-lhes face a face. A piedade jamais pode ser fonte de lucro [16] e se continuarem nessa sórdida ganância haverão de sofrer muitas dores [17].

A busca da verdadeira maturidade

É imprescindível que manejem bem a Palavra, pois chegou ao meu conhecimento que esta é uma geração tão ignorante nela que estão sendo enganados por lobos vorazes, que trazem enganos e sofismas, e a esses, de boa mente, os tolerais [18]. Lembrem-se que quando preguei em Beréia o povo consultava a Palavra para ver se as coisas eram de fato assim [19]. Porque não fazeis vós o mesmo? Ora, os ardis de satanás vêm sempre disfarçados na pregação de um anjo de luz [20].

Vejo que entre vós há muitos acréscimos e deturpações daquilo que falei. Admoesto-vos a que não ultrapasseis o que está escrito [21] .

As saudações pessoais

Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, e sim a seu próprio ventre [22], seus próprios interesses. Em breve vos vereis.

A bênção

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós do Brasil [23].



Original do autor Daniel Rocha em Metodista 2007 ; Vi em Buscai o Reino.

REFERÊNCIAS [1] - 1Co 3.5 [2] - Fp 4.11; 1Ts 5.18 [3] - 1Co 1.22 [4] - 1Ts 5.17 [5] - 2Tm 4.20 [6] - 1Tm 5.23 [7] - Fp 2.27-30 [8] - 1Co 9.22 [9] - Cl 4.3 [10] - 1Co 11.3 [11] - At 20.29 [12] - 1Co 12.7 [13] - Rm 12.7-8 [14] - Gl 5.15 [15] - 1Co 16.2 [16] - 1Tm 6.5 [17] - 1Tm 6.10 [18] - 2Co 11.4 [19] - At 17.11 [20] - 2Co 11.14 [21] - 1Co 4.6 [22] - Rm 16.17-18 [23] - 2Co 13.13

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O que a Igreja poderia aprender com o Carnaval?


Hermes C. Fernandes

Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas.

Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.

Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural?

Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo?

Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval.

Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.

E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim.

Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.

Destaco a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, do samba-enredo. Eles buscam a perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho.

Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade.

O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins.

A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.

Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.

Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão em-si-mesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ser um fim em si mesmo.

A avenida nos espera!

À frente vai a comissão de frente, seguida pelo carro alegórico abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão.

A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Chegamos a esta conclusão quando lemos o que escreveu aos coríntios: “Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Ele preferia pescar em alto mar, e não aquário dos outros.

A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa. No meio do desfile encontramos o casal de porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas.

É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho.

Os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.

Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama.

Todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:

“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).

Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vivendo e fazendo a Diferença no Sistema sem ser do Sistema



Pastor Altair Germano

Muitos obreiros, irmãos e jovens me abordam no sentido de buscar conselhos e orientações por suas frequentes frustrações, desilusões e decepções diante da crescente corrupção, hipocrisia, secularização e da perda de rumo de alguns setores e denominações evangélicas no Brasil.

O quadro é tão grave que alguns, além de se afastarem do "sistema" (igrejas, convenções, concílios etc), não desejam sequer serem chamados mais de evangélicos.

Lendo a Bíblia, entendi que sair de um sistema (igrejas, convenções, concílios etc) nem sempre é a atitude adequada ou possível.

Estar (fisicamente) num sistema, não significa necessariamente "ser" (essencialmente ou ideologicamente) deste sistema.

Numa perspectiva macro, Jesus falou disso em João 17.14-18, onde substituirei no texto o termo "mundo" (sistema macro caído influenciado por satanás) por "sistema" (setores e denominações evangélicas influenciados pelo sistema macro):

Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o "sistema" os odiou, porque eles não são do "sistema", como também eu não sou. Não peço que os tires do "sistema", e sim que os guarde do mal. Eles não são do "sistema", como também eu não sou. Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao "sistema", também eu os enviei ao "sistema". (Jo 17.14-18)

Percebe-se no texto a possibilidade clara de "estar no", sem "ser de".

Os profetas bíblicos não foram enviados de outras nações (sistemas politicamente constituídos) para profetizar contra os pecados de Israel e Judá. Eles viviam no sistema (nação israelita e judaica politicamente constituída), e do sistema foram levantados contra o próprio sistema (nação politicamente constituida e influenciada pela idolatria, imoralidade, violência, corrupção, suborno, injustiça social etc).

Foi dessa forma que para Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Ananote, na terra de Benjamim, o Senhor falou:

Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença. Eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muro de bronze, contra todo o país (sistema), contra os reis de Judá (sistema), contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo. Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar." (Jr 1.17-19)

Observe que Jeremias era filho de sacerdote e morador de Benjamim. Ele estava diretamente relacionado com o sistema em termos religiosos e políticos, mesmo assim, o SENHOR o escolheu de dentro do sistema para se posicionar contra o sistema, sem se isolar do sistema:

Olha que hoje te constituo sobre as nações (sistemas) e sobre os reinos (sistemas), para arrancares e derribares (nos sistemas), para destruíres e arruinares (os sistemas) e também para edificares e para plantares (nos sistemas). (Jr 1.10)

Ezequiel é um outro exemplo de profeta cuja origens remonta à família sacerdotal (ministros religiosos do sistema). Dele no diz a Bíblia:

Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. No quinto dia do referido mês, no quinto ano de cativerio do rei Joaquim, veio expressamente a palavra do SENHOR a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do SENHOR. (Ez 1.1-3)

Ezequiel não apenas estava no sistema, como, inclusive, foi vitimado pelas consequências da desobediência a Deus que dominava o sistema, sendo levado cativo para a Babilônia junto com os demais integrantes do sistema.

Isaías tinha uma alta posição social no sistema, visto a liberdade com que transitava na corte real (Is 7.3-17; 39.3), a maneira como intervinha em questões de Estado (Is 37.5-7) e como se relacionava com os sacerdotes e portadores de altos cargos (Is 8.2). Mesmo assim, com toda esta liberdade e envolvimento com ilustres personagens do sistema, foi de dentro deste sistema e para profetizar contra este sistema que o Senhor o levantou.

Mesmo os profetas que não estavam muito próximos do centro do sistema (Jerusalém e Samaria), como é o caso de Elias (1 Rs 17.1), Amós (Am 1.1), Miquéias (Mq 1.1) e Naum (Na 1.1), de alguma forma se relacionavam com o sistema.

Sim, é possível estar no sistema sem ser do sistema.

É possível conviver no sistema e ser contra o sistema.

É possível realizar coisas boas no sistema e denunciar as coisas ruins do sistema.

É possível arrancar e derribar no sistema e também edificar e plantar no sistema.

É possível ser voz e arauto de Deus "no" e "para" o sistema.

É possível ser santo e íntegro no sistema.

É possível não se vender e não se render ao sistema.

É possível influenciar positivamente no sistema, sem ser influenciado pelo sistema.

É possível imitar Jesus.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Uma carta para ti

"Como sabes, está a chegar novamente a data de meu aniversário.
Todos os anos fazem festa em minha honra e creio que este ano acontecerá a mesma coisa. Nestes dias as pessoas fazem muitas compras. A rádio e a televisão fazem centenas de anúncios. Por todo o lado não se fala de outra coisa a não ser dos preparativos para o grande dia.

É bom saber que pelo menos um dia por ano algumas pessoas pensam um pouco em mim.

Como sabes, há muitos anos começaram a festejar o meu aniversário. No começo, pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles, mas HOJE em dia, ninguém sabe por que razão o celebram. As pessoas se reúnem e se divertem muito, mas não sabem do que se trata...

Estou a lembrar-me do ano passado: ao chegar o dia do meu aniversário, fizeram uma grande festa em minha honra. Havia coisas deliciosas na mesa, tudo estava decorado e havia muitos presentes... mas sabes de uma coisa?
Não me convidaram! Eu era o convidado de honra e ninguém se lembrou de me convidar! A festa era para mim e quando chegou o grande dia, fecharam-me a porta na cara. Bem que eu queria partilhar a mesa com eles...

A verdade não me surpreendeu porque, nos últimos anos, muitos me fecham a porta. Como não me convidaram, ocorreu-me entrar sem fazer ruído. Entrei e fiquei num cantinho.

Estavam todos a brindar, alguns já estavam embriagados, a contar piadas, rindo, divertindo-se. Aí chegou um VELHO GORDO, VESTIDO DE VERMELHO, COM BARBA BRANCA E GRITANDO: HO! HO! HO!Parecia ter bebido demais... Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram para ele dizendo: Papai Noel! Papai Noel! – como se a festa fosse para ele!

Quando chegou a meia-noite, todos começaram a abraçar-se. Eu estendi os meus braços esperando que alguém me abraçasse... Queres saber? Ninguém me abraçou.

De repente, todos começaram a entregar presentes. Um a um, os pacotes foram sendo abertos. Cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim – nada!

O que sentirias se no dia do teu aniversário todos se presenteassem e não te dessem nenhum presente?

Compreendi, então, que estava a mais na festa... Saí sem fazer barulho, fechei a porta, fui embora...

Cada ano que passa é pior: as pessoas só se lembram da ceia, dos presentes, das festas... De mim, ninguém se lembra.

Gostaria que, neste Natal, me permitisses entrar na tua vida, reconhecendo que há mais de dois mil anos vim ao mundo para te dar a minha vida na cruz e, assim, poder salvar-te... Hoje só quero que acredites nisso com todo o teu coração...

Vou dizer-te uma coisa. Já que muitos não me convidam para a festa que fazem, vou fazer a minha própria festa – uma festa grandiosa como ninguém jamais fez, uma festa espectacular! Estou nos últimos preparativos e a enviar os convites. Este é especial para ti. Só quero que me digas se queres vir: reservarei um lugar para ti e incluirei o teu nome na lista dos que confirmaram... Os que não aceitarem, ficarão de fora.

Prepare-te porque quando tudo estiver pronto, quando menos se esperar, darei a minha grande festa. Não te esqueças de enviar este convite também aos teus amigos...

SOMENTE PARA OS AMIGOS ESPECIAIS

Assim como tu és especial para mim, com certeza, há vários amigos que são especiais para ti. Desta maneira, vamos fazer uma festa com os “especiais”, afinal, “muitos serão os convidados mas poucos serão os escolhidos”, sabes por quê? Porque poucos aceitarão o CONVITE!

Um abraço.

Jesus

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Nem Reis! Nem Três! A Verdadeira história dos Magos.

 
Figuras notórias nos cartões natalinos, os três reis magos exercem fascínio sobre os cristãos do mundo inteiro. Mas quem disse que eram “reis”? E mais: quem disse que eram “três”? Não há uma única passagem bíblica que afirme isso.
Presume-se que eram três por serem três os presentes que trouxeram ao menino Jesus. Mas não há qualquer indício para que presumamos que eram reis.

Até nomes e nacionalidades já lhes foram atribuídos: Baltazar, o árabe; Belchior, o indiano; e Gaspar, o etíope.

Geralmente, eles aparecem nos quadros natalinos ao redor da manjedoura, porém a Bíblia sugere que ao chegarem a Belém, Jesus já teria por volta de dois anos.

Se quisermos distinguir entre o que diz a tradição e o que dizem as Escrituras, nada melhor do que examinarmos o texto bíblico em busca de mais informações sobre esses personagens misteriosos, aproveitando para buscar edificação para nossas vidas. Afinal, nada do que está registrado na Bíblia tem outro propósito que não seja nos edificar.

“Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, vieram uns magos do Oriente à Jerusalém, e perguntavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo” (Mt.2:1-2).

Quem seriam os magos? Por que foram chamados assim? Pode-se conjecturar a partir de evidências extra-bíblicas. A palavra “magoi”, traduzida como “magos” sugere que eles pertenciam à casta sagrada dos Medos, sendo sacerdotes da Pérsia. A religião praticada por eles provavelmente era o Zoroastrismo, que proibia a feitiçaria; seu encontro com Jesus se deveu à sua astrologia e habilidade de interpretar sonhos.

Naquela época não havia distinção entre astronomia e astrologia. Todos os que se ocupavam a estudar os fenômenos celestes eram astrólogos. Portanto, a astrologia era considerada uma ciência. A aparição de um novo astro nos céus indicava que algo extraordinário estava por acontecer.

Acerca da misteriosa estrela, há várias explicações plausíveis.

# A palavra “aster” pode significar um cometa.

# A estrela poderia ter sido a conjunção de Júpiter e Saturno (7 a.C.), ou de Júpiter e Venus (6 a.C.). Conjunção é quando dois astros parecem se fundir nos céus devido a um alinhamento raro, e assim, dão a impressão de serem um único astro, mais brilhante que todos à sua volta.

# Os Magos podem ter avistado uma super-nova, uma estrela que aumenta de repente em tamanho e brilho e em seguida, diminui novamente. Fenômeno muito raro de ser avistado à olho nu.

Estas teorias, embora razoáveis, deixam de lado a explicação que “a estrela que tinham visto no Oriente, ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino”(Mt. 2:9). Que fenômeno celeste seria capaz de tal proeza?

Teria sido a Estrela de Belém um milagre, tal qual a coluna de fogo que permaneceu no arraial durante o Êxodo dos hebreus (Êx.13:21)? Ou como o resplendor de Deus que brilhou em torno dos pastores no campo (Lc.2:9), ou ainda como a luz proveniente do céu que apareceu a Saulo de Tarsos no caminho de Damasco (At.9:3)?

Tenha sido um fenômeno natural ou sobrenatural, o que importa que os magos se deixaram guiar por ele, e isso os levou até Jerusalém. Provavelmente, eles imaginaram que o novo rei teria nascido em Jerusalém. Que outro lugar haveria para que um monarca judeu nascesse do que na cidade dos reis?

Eles também achavam que todos estavam a par da boa notícia. Mas se equivocaram. Ninguém na cidade sabia que algo extraordinário havia acontecido. “Quando o rei Herodes ouviu isto, alarmou-se e com ele toda Jerusalém” (Mt.2:3). A voz dos magos ecoou pelas ruas e mercados da cidade santa. Mas em vez de alegrar-se com a notícia, todos se alarmaram.

Logo agora que todos já haviam se acostumado à idéia de terem Herodes, um edomita, como rei, a aparição de um novo rei subverteria a ordem, o Status Quo. E vale dizer que conquistar a simpatia dos judeus custou muito caro a Herodes. Entre os empreendimentos que visava conquistar a admiração dos judeus, estava a restauração do templo, tornando-o ainda mais suntuoso do que nos tempos áureos.

Herodes, agora, se sentia ameaçado. Ele sabia que não tinha o direito de sentar-se naquele trono. Ele não pertencia à linhagem de Davi. Sequer era judeu. Por isso, convocou “todos os principais sacerdotes, e os escribas do povo”, e “perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo”(v.4).

Os magos não possuíam todas as informações. Eles sabiam que o menino havia nascido, mas não tinham idéia de “onde”. Nada indica que eles conhecessem os textos sagrados, as profecias. O único livro de que dispunha para obter informações sobre o nascimento do Messias era o “livro da natureza”. A astrologia era a sua ciência.

Há que se ponderar aqui sobre algo: a ciência não responde a todas as nossas perguntas. Através da ciência podemos fazer uma leitura dos fenômenos naturais que nos forneceram indícios acerca de Deus. Há que se deduzir: se há leis que regem o Universo, logo, há por trás delas um Legislador.

Não há razão para que a fé e a ciência se ponham em trincheiras opostas. Cada uma se dispõe a responder a perguntas diferentes, que abarcam sua área de atuação.

Em se tratando da criação, por exemplo, podemos dizer que a ciência se propõe a responder a duas perguntas: “quando”, e “como”. Já a fé deve focalizar em outras questões: “quem”, e “pra quê”.

No caso que estamos examinando, a ciência levou os magos na direção certa, porém, faltava-lhes algumas informações que só a revelação contida na Palavra é capaz de suprir.

Herodes mandou chamar a “nata” da teologia de sua época. Ninguém conhecia tão bem as escrituras do que os sacerdotes e os escribas. Os primeiros, porque a liam constantemente. E os escribas porque a copiavam exaustivamente.

“Eles lhe responderam: Em Belém da Judéia, pois foi isto que o profeta escreveu: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és o menor entre os governantes de Judá; pois de ti sairá um guia que apascentará o meu povo, Israel” (Mt.2:6).

Embora buscasse na fonte certa a resposta, a motivação de Herodes era a pior possível. Como ele, há muitos em nossos dias que usam das Escrituras para alcançar objetivos espúrios, assim como há muitos cientistas, alguns deles ateístas, que buscam respostas com a melhor das intenções.

O texto prossegue, dizendo que “Herodes chamou em secreto os magos, inquiriu deles exatamente acerca do tempo em que a estrela aparecera” (v.7).

Por que Herodes não buscou tal informação nas Escrituras? Simplesmente, porque elas não ao contém. Assim também, é perda de tempo buscar certas informações nas páginas das Escrituras.
A Bíblia jamais se preocupou em oferecer um cronograma exato de acontecimentos históricos. Dizer que a criação se deu há cerca de seis mil anos, por exemplo, é fazer uma leitura ingênua e equivocada do livro sagrado.

Depois de certificar-se do tempo em que a estrela aparecera, Herodes enviou-os a Belém, dizendo-lhes: “Ide e perguntai diligentemente pelo menino. Quando o achardes, avisai-me, para que eu também vá e o adore” (v.8).

Os meios usados por Herodes para obter informação sobre o nascimento do Messias eram legítimos e louváveis, porém suas motivações e seu objetivo eram deploráveis. Aqui encontramos o inverso do que foi proposto por Maquiavel: os meios justificando os fins!

“Tendo eles ouvido o rei, partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Vendo eles a estrela, alegraram-se imensamente” (vv.9-10).

Por que, antes de chegarem a Belém, eles passaram por Jerusalém? Porque a estrela os guiara até lá. Porém, ela não se estagnou. Era apenas uma escala na viagem, não o destino final. A estrela só parou sobre o lugar onde estava o menino.

Imagine a alegria daqueles homens, depois de viajarem por cerca de 1200 milhas, empregando para isso cerca de doze meses de camelo em um trajeto por regiões inóspitas e desérticas do oriente médio.

Para a surpresa deles, o Messias anunciado pela estrela não fora encontrado nos palácios de Jerusalém, mas em uma modesta casa em Belém.

“Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe e, prostrando-se, o adoraram. Então, abrindo os seus tesouros, lhe apresentaram suas dádivas: ouro, incenso e mirra” (v.11).

De alguma maneira, eles chegaram à conclusão de que aquele menino não era apenas mais um monarca, mas o próprio Deus que Se fizera homem. Por isso, sentiram-se compungidos a se prostrar e adorá-Lo.

Chegara a hora de descarregar seus camelos. Em vez de fraldas, mamadeiras, chupetas, e outras coisas que geralmente se dá um nenê, eles presentearam ouro, incenso e mirra.

O incenso era considerado oferenda sagrada. Todas as religiões do Oriente o usam em seus rituais, inclusive o budismo. Ao presenteá-Lo com incenso, estavam reconhecendo Sua divindade.

A mirra era o perfume usado para embalsamar os mortos. Cada família deveria ter em casa mirra suficiente para um eventual falecimento de um ente. Portanto, quem Lhe presenteou com a mirra, estava profetizando a Sua morte em favor da humanidade. Ali estava alguém que nascera para morrer. Entretanto, aquela mirra jamais fora usada em Jesus. Quando Maria foi ao Seu túmulo para embalsamá-lo, Ele já havia ressuscitado. Além do mais, dias antes de morrer, outra Maria, irmã de Lázaro, se antecipou a derramar um perfume caríssimo sobre Jesus, preparando-o para o sepultamento, conforme Ele mesmo testificou. A propósito, aquele perfume era destinado a Lázaro, porém não foi usado nele, para ser usado em Jesus. Por isso, Lázaro cheirava mal depois de quatro dias de sepultamento. Não era comum que isso acontecesse a um judeu. Quanto à mirra com que fora presenteado pelos magos, provavelmente tenha sido usado em algum outro familiar de Jesus. De qualquer maneira, profetizava Sua morte.

E quanto ao ouro? Para saber a necessidade de se presentear o Messias com o mais precioso metal, precisamos avançar no texto:

“E, tendo sido por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho à sua terra. Tendo eles partido, o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Fica-te lá até que eu te avise, pois Herodes há de procurar o menino para o matar. Levantando-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe, e foi para o Egito. Ali ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho. Então Herodes, vendo-se iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar a todos os meninos de Belém, e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, segundo o tempo em que diligentemente inquirira dos magos” (vv.12-16).

José era carpinteiro, e provavelmente tinha uma clientela em sua cidade. Deixá-la repentinamente para ir para um país estranho provavelmente seria dispendioso. Até que ele se firmasse profissionalmente no Egito, como ele poderia prover o sustento de sua família? Foi por isso, que Deus proveu todo aquele ouro através das mãos generosas dos magos.

Nosso Deus é um Deus de provisão e não de improvisos. Ele conhece o coração dos homens, e sabe o que nos espera lá na frente. Antes que nos aconteça qualquer coisa, Ele sempre nos envia os proventos necessários.

Talvez José jamais tenha entendido o motivo do incenso e até da mirra, uma vez que jamais precisou ser usada em Jesus. Mas ele entendeu perfeitamente a razão pela qual Deus lhes enviara todo aquele ouro.

Mas se os magos houvessem descarregado seus camelos no palácio de Herodes? E aqui devemos ponderar: onde temos descarregado nossos camelos? Em que temos investido nossos haveres? Que tal como Deus usou os magos, sejamos usados por Ele para suprir as necessidades de Sua obra, em vez de investir em projetos megalomaníacos de quem usa as Escrituras em nome de uma agenda secreta e de motivações nem sempre louváveis.

Feliz Natal!


Hermes Fernandes

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"Formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas de salvação" Rm10:16

É incrivel ver que o novo testamento fala direto sobre evangelismo e missões. Ninguém pode dizer que existe outro assunto que seja mais abordado do que esse.O próprio Jesus falou e viveu isso, os apóstolos, principalmente Paulo. Chegou a hora de seguirmos seus passos, de deixar de apenas pregar o que não vivemos, de fazermos a nossa parte, de ir e gastar as solas de nossos sapatos para anunciar as Boas Novas de Salvação.

sábado, 12 de dezembro de 2009

"Chega de viver um teoria
Eu vou levar a mensagem da cruz
Saindo das quatro paredes
guanhando Belém pra Jesus"

Enquanto o mundo está morrendo, a igreja adora. Enquanto o mundo passa fome, a igreja fica mais próspera, e ainda prega o IDE, mas não pratica. É tudo uma teoria, não se vê nada na prática, já o Senhor disse que quem não tem coragem de negar a si mesmo, não pode O seguir.
Quantos cristãos hoje teriam coragem de morrer por Cristo? A maioria não tem coragem nem de falar de Jesus, quem dirá morrer, o coração de Deus chora ao ver essa realidade.